Sebrae no Acre está entre os cinco melhores do Brasil segundo a FNQ

Novas estratégias foram essenciais para elevar a pontuação da instituição

A estudante Nilcéia Siqueira da Rocha, integrante do programa Menor Aprendiz, está debruçada sobre um calhamaço de fichas de inscrições para uma palestra. À sua frente, o estagiário Tiago Araújo usa o SGC (Sistema de Gestão de Credenciados) para conferir a avaliação dos clientes sobre outra palestra, um trabalho que tem como finalidade prestar contas do evento para o setor Financeiro.

Tiago e Nilcéia são dois pequenos exemplos da complexa engrenagem que fez o modelo de gestão do Sebrae no Acre ser posicionado em alto grau de maturidade segundo avaliação da Fundação Nacional de Qualidade (FNQ) em 2017 e em 2018, onde permanece elevado à faixa número 6, de uma escala até 7, do Programa Nacional de Qualidade, principal referência em sistemas de gestão eficiente no Brasil e que serve de guia para grandes empresas brasileiras e transnacionais.

O Modelo de Excelência em Gestão (MEG), em 2017, observa oito critérios: Liderança; Estratégias e Planos; Cliente; Sociedade; Informações e Conhecimentos; Pessoas, Processos e Resultados. Neste 5º ciclo do Programa Sebrae de Excelência de Gestão (PSEG), o Sebrae no Acre avançou 20,7% e obteve uma pontuação de 562,25 garantindo uma colocação entre os melhores do Brasil e como o melhor da Região Norte.

“Se a avaliação de 2018 tivesse os mesmos parâmetros de 2017 o Sebrae no Acre poderia ter saltado para a faixa 7”, avalia o diretor-superintendente, Mâncio Cordeiro. “Os eixos potencializadores que fizeram a diferença neste ciclo foram a estrutura organizacional ágil e flexível, a governança, a transparência, a atuação estratégica nas redes, a interação da Direção com as partes interessadas, a construção participativa do Direcionamento Estratégico, a forte atuação na construção do ambiente de negócios, a avaliação de desempenho de pessoas e equipes, o ambiente para inovação e experimentação, os kits de processos e o comprometimento de força de trabalho”, enumera Mâncio.

Neste ciclo, o Sebrae no Acre alcançou cinco exemplos de Boas Práticas – o kit de processos, o café com a diretoria executiva, o direcionamento estratégico, a Startup Sebrae e o Sebraelab Ufac – elevando para sete o número de boas práticas indicadas pela FNQ.

Os resultados mereceram comemoração por parte da diretoria e de colaboradores. A economista Soraya Neves de Menezes, analista do Sebrae no Acre há 27 anos, diz que o novo direcionamento estratégico foi o ponto preponderante para posicionar a organização no patamar atual. “Foram quatro anos de construção, mapeando os processos para identificar os gargalos e fazer os ajustes necessários. Antes, não tínhamos este mapeamento, o processo emperrava na relação entre o setor técnico e o administrativo”, explica Soraya.

A também economista Ruama Araújo atribuiu o sucesso dos resultados à liderança do diretor-superintendente Mâncio Cordeiro. Gestora de Atendimento da região do Baixo Acre e Purus, que inclui o posto da OCA, o Sebrae Lab e o Sebraelab Ufac, Ruama lidera 34 colaboradores e estagiários e atende a uma clientela de 10 municípios.

Ruama considera o diretor-superintendente Mâncio Cordeiro como o condutor do processo rumo ao topo do ranking da FNQ. “Ele pegou o cajado e disse: vamos nesta direção. Fomos todos participar do planejamento estratégico. Sem isso a gente não ia parar para pensar nisso. Nós precisávamos de fluxos para ter dias mais leves, para fazer um serviço mais profissional.  Acima de tudo, fomos puxados pela liderança”, disse Ruama.

A gestora fala tendo como parâmetro sua experiência durante a gestão anterior quando iniciou suas atividades no Sebrae no Acre. “Antes existia uma divisão entre as áreas técnica e administrativa. Houve uma mudança muito grande nesta cultura através da pessoa do Mâncio”, diz.

A classificação do Sebrae no Acre no grupo das melhores unidades da Federação, diz Ruama, eleva a autoestima de todos os envolvidos na engrenagem e só tende a otimizar a produtividade e o relacionamento entre si e com a clientela. “É um desempenho reconhecido pela FNQ, uma entidade altamente reconhecida e respeitada”, observa.

Este reconhecimento, de acordo com ela, vem num momento muito importante, em que o Sebrae sofre ameaças externas bastante graves, de perda de recursos. Em 2015, na primeira reunião de planejamento estratégico, Ruama lembra que Mâncio norteou os debates a partir da pergunta: “quem vai se lamentar se o Sebrae deixar de existir?”. Neste momento, diz ela, toda a engrenagem deve estar mobilizada para conter as ameaças. “Mas, lamentavelmente, nem todos estão conscientes disso, permanecendo em suas zonas de conforto”, diz.

Murielly Nóbrega, gestora Cadeia de Valor da Mandioca, um dos programas mais notáveis do Sebrae no Acre, começou suas atividades como colaboradora no fim da gestão anterior, de modo que não tem parâmetros para comparar.

Mas, segundo ela, participar de um processo avaliado e aprovado pela FNQ deixa qualquer pessoa orgulhosa. “Caberá a nós, a partir de agora, levar este progresso adiante, não deixar que haja recuos”, comentou ela.

Autoestima

O resultado da última avaliação do Sebrae foi divulgado no dia 6 de dezembro, em reunião da Abase (Associação Brasileira dos Sebrae/Estaduais), em Brasília, com a participação das diretoras Sídia Gomes e Rosa Nakamura. A permanência na faixa 6 por dois anos seguidos é motivo de muita comemoração pela Diretoria Executiva.

O diretor-superintendente Mâncio Cordeiro, lembra que esta é uma meta que vem sendo almejada desde sua posse, em 2015, quando realizou o Planejamento Estratégico que foi revisado em abril deste ano.

“É uma vitória espetacular, que envolve todo o pessoal do Sebrae, da sua capacitação profissional e do esforço de cada um que começou a acreditar no seu potencial”, comentou o diretor.

O diretor atribui o resultado à autoestima da equipe de profissionais que lidera os processos e que participam com muita determinação de todas as metas do Planejamento Estratégico de 2015.

A reunião do Planejamento Estratégico de 2015 teve participação de todos os colaboradores, estagiários, prestadores de serviço e até de fornecedores, com a consultoria da empresa paulista Amana-Key.

Enquanto faziam a reunião e planejamento notou-se que a gestão do Sebrae no Acre seguia o modelo do Sebrae Nacional, sem uma identidade regional. Com o objetivo de romper com essa dependência em relação aos programas e recursos do Sebrae Nacional, Mâncio adequou o planejamento da instituição com a realidade do Estado, mas sem perder a essência do sistema Sebrae, mantendo sua identidade e alinhado com as propostas do Nacional.

A estratégia deu certo resultando numa escalada, entre 2016 e 2018, da 9ª para a 5ª posição entre os 22 Estados, excluindo o Sebrae Nacional no topo, em primeiro lugar. Desta forma o Acre está posicionado entre os cinco melhores Estados.

Em abril de 2018, o Sebrae realizou nova reunião do Planejamento Estratégico e fez uma reformulação em busca da excelência para elevar sua pontuação e garantir a presença do Acre entre os melhores e, se possível, subir de faixa.

A meta foi alcançada, mas por conta de uma alteração nos parâmetros de avaliação da FNQ para o MEG 21 o Sebrae do Acre não progrediu para a faixa 7. “As alterações realizadas no MEG 21, em relação ao anterior, podem ser facilitadoras para o futuro, mas complicadoras no presente, pois saímos de um modelo para outro”, comentou Mâncio.

Mas, mesmo assim, o diretor considera uma vitória espetacular, pois vários Estados perderam pontos e foram rebaixados. O Sebrae do Acre, entretanto, não só manteve sua posição entre os cinco melhores como ampliou sua pontuação.

“É importante registrar que o Sebrae no Acre está ficando tão sólido que, mesmo com a mudança continuamos crescendo enquanto vários estados caíram de faixa.  Esta é uma vitória sensacional, pois em oito meses nós fizemos o que os outros ciclos pediam que a gente fizesse em um ano e meio. Se a gente tivesse sido avaliado com a mesma régua do ano passado possivelmente iríamos para o topo com o Sebrae Nacional”, disse Mâncio.

O superintendente afirma não ter dúvidas de que o Sebrae no Acre ainda tem muito caminho a percorrer, mas agora no rumo de ser o melhor Sebrae do Brasil. “Acho que este é o legado mais importante que deixamos. O legado é cultura, mudança de postura. A pessoas aprenderam a ousar e agora acreditam que podemos ser os melhores. Somos respeitados pelos Sebrae de todo o Brasil. O melhor legado que fica não é o prédio, é o que está dentro dele”, afirma Mâncio.